LITERATURA DE CORDEL

11:00:00




A literatura de cordel, conhecida também como folheto aqui no Brasil, é um gênero literário considerado poesia popular. Geralmente impressa e divulgada em folhetos ilustrados com o processo de xilogravura, podendo utilizar, também, desenhos e imagens zincografadas.

Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais. Seu nome oriunda de como os folhetos que ficavam expostos para venda em cordas, cordéis e barbantes em Portugal.

Já no Brasil, chegou por volta do XVIII, através dos portugueses, aos poucos foi se tornando popular, principalmente na região do Nordeste, acabou sendo adaptado a nossa cultura, podendo ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, mas pode ocorrer de ter apenas na capa.

Geralmente estes pequenos livros, podendo variar entre 8 e 32 páginas, são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso por conter preço baixo, tom humorístico e, principalmente, por retratar fatos da vida cotidiana como política, festas, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres e etc.


Aqui no Brasil, em algumas situações, os poemas são acompanhados pelos próprios autores, onde são recitados pelo acompanhamento do som de violas. Já em outros países, são chamados de trovadores, onde, geralmente, recitam prosas.

Um dos poetas da literatura de cordel que fez muito sucesso e faz até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Rumores dizem que ele escreveu por volta de mais de mil cordéis. Mas, atualmente, os poetas mais conhecidos são José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré, João de Cristo Rei, Ignácio da Catingueira, Francisco Diniz, entre outros.

Diversos outros escritores sofreram influências pela literatura de cordel, como João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

Estrutura do cordel:

  • Quadra: estrofe de quatro veros;
  • Sextilha: estrofe de seis versos;
  • Septilha: considerada a mais rara, justamente por ser composta por sete versos;
  • Oitava: estrofe de oito versos;
  • Quadrão: os três primeiros versos rimam entre si; o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo;
  • Décima: estrofe de dez versos;
  • Martelo: Estrofes formadas por decassílabos (comuns em desafios e versos heróicos)

Curiosidades
  • Muitos historiadores e antropólogos estudam este tipo de literatura com o objetivo de buscarem informações preciosas sobre a cultura e a história de uma época. Em meio a ficção, busca resgatar dados sobre vestimentas, crenças, comportamentos, objetos, linguagem, arquitetura e etc.
  • Por ser considerado como sendo literatura oral os cantos, encenações e textos populares que são representados nos folguedos.
  • Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do autor a respeito de algo dentro de sua sociedade. Os cordéis não tem o objetivo de serem impessoais ou imparciais, na verdade é o contrário, eles utilizam técnicas de persuasão a fim de convencer o leitor para que acate a ideia proposta.
  • Neste site, Projeto Cordel, podemos encontrar como escrever cordéis, vídeos, projetos, monografia até compra desses folhetos. O site é ministrado pelo Francisco Diniz com Valentim Quaresma.

Abaixo deixo um vídeo de uma música sob a forma de cordel do poeta Francisco Diniz, intitulada Literatura de Cordel.




Beijos e até a próxima,
Jéssica Tolare




You Might Also Like

0 comentários

Seguidores

Amazon

Amazon