O PRECONCEITO COM A LITERATURA BRASILEIRA

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Lembro quando estava no Ensino Médio, se não me engano, no terceiro ano, especificamente, é já faz um tempinho e foi quando comecei a encher o saco de algumas amigas para lerem alguns livros que eu li e gostei muito, só para ter com quem conversar. Começou coma série Hush Hush, da Becca Fitzpatrick, passou pela A Seleção, da Kiera Cass, assim ia conforme eu ia lendo livros que comprava, até que um dia propus um livro nacional, Perdida, da Carina Rissi. Na hora elas torceram o nariz, viraram para mim e falaram “Mas eu não gosto de autor brasileiro” e a minha primeira resposta sem ao menos pensar foi “Mas por que? Você já leu?” e o que mais me espantou foi a resposta “não li não, só não gosto mesmo.” Para não entrar em conflito com elas, acabei deixando o assunto de lado, mas, no fundo, sentia algo me incomodando.

Conforme o tempo foi passando, fui crescendo junto com o blog, consequentemente, fui conhecendo outros autores, alguns inclusive por ser parceiros do blog, outros tive o prazer de poder ler a obra. Mas eu, com minha mania de querer que as outras pessoas lessem aquilo que eu li, continuei insistindo no assunto e elas continuaram relutantes. Algumas, aos poucos, consegui que se apaixonassem pelos livros como eu fiz, outras, não, continuaram com esse preconceito.

Nos últimos dias, antes de me formar, confrontei uma delas, queria entender o por que de não gostar. E, para ser sincera, nem ela conseguiu me apresentar um argumento bom, disse apenas que não gostava, que lembrava os clássicos, disse que a literatura era chata. Mas nem se importou em dar uma chance ao livro.

Quando cheguei em casa, fiquei pensando no que essa minha amiga dissera. Fui olhar minha estante e o choque foi grande ao perceber que a maioria dos meus livros era de autores internacionais. Foi então que percebi o que realmente estava acontecendo e, infelizmente, dura até hoje. Desde então falo da importância da literatura brasileira, incentivo sempre que posso, mas, acima de tudo, apoio, porque, realmente acredito que ela é importante, principalmente, por existirem autores que são realmente bons.

Esse preconceito não nasce com nós. Acredito que diversos fatores levam a isso. Começando pela falta de incentivo em ler, partindo de casa, até chegar nas editoras, que investem mais na literatura estrangeira, fazendo tiragens de livros maiores do que fazem com autores nacionais, divulgando mais o trabalho de um autor nacional do que do próprio brasileiro.

Certa vez estava conversando com uma amiga da faculdade, que é escritora, e ela estava me explicando que as editoras preferem comprar os livros lá fora por questões financeiras. Veja bem, quando eles compram os livros de fora, compram os direitos autorais da obra, enquanto aqui no Brasil, ele tem que arcar com mais custos, autores, que ganham uma porcentagem da sua obra, que é muito pequena, cerca de 8% à 10% do preço de capa vendido, ilustradores, revisores e outros diversos profissionais que trabalham na obra. Pode reparar, são poucos autores nacionais que vivem da escrita, muitos tem um segundo emprego.

Esse custo é considerado muito alto para as editoras, por fim, elas acabam dando duas opções, eles pagam parte da publicação e o autor paga o restante, ou os autores publicam de forma independe. Geralmente, quando o autor já possui muitos fãs, de tanto divulgar o próprio trabalho nas redes sociais ou outros meios, é que eles acabam fechando contrato. Antes disso, é um pouco difícil. Há também, autores que recorrem a consultoria literária, agentes literários, que possuem contatos que podem ajudar a conseguir uma editora que publique sua obra.

Note, é algo muito grande, envolve a falta de divulgação e incentivo da literatura brasileira. Não falo apenas dos livros Clássicos, como Machado de Assis, Jorge Amado, que são fantásticos, mas de autores contemporâneos, que são maravilhosos também. Antes de falar se gosta ou não dá obra é necessário que leia primeiramente, para depois poder julgar, se gostou ou não dela.

Um caso em específico, envolvendo um amigo, que alegava não gostar de Paulo Coelho, que era autoajuda, mas que nunca se deu ao trabalho de ler uma obra dele. Expliquei minha relação com os livros do autor (para quem quiser entender mais clique AQUI no post em que falo sobre autores brasileiros) e conhecendo esse meu amigo, incentivei que lesse uma obra específica do autor, Veronika decide morrer, e, no final, ele acabou adorando.

Nelson Rodrigues formulou o famoso “complexo de vira-lata”, que, segundo ele, o brasileiro se coloca em um estado de inferioridade em relação ao resto do mundo. O que se estende até o campo literário. A literatura brasileira é igual a qualquer outra e merece muito reconhecimento. Os autores são extremamente talentosos, as obras são boas. Não há o porque der ter preconceito, que só mostra o quanto a pessoa é ignorante, principalmente, em relação a própria cultura, que é tão rica quanto qualquer outra. Tem um post onde falo sobre alguns autores brasileiros bons (link)

Abaixo deixo alguns livros que li, que são bons e que todo mundo deveria ler.



Beijos e até a próxima,
Jéssica Tolare

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