CAIXA DE PÁSSAROS – JOSH MALERMAN

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Título: Caixa de Pássaros
Título Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Editora: Instrínseca
Ano: 2015
Páginas: 272

Sinopse:
Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?

O homem é a criatura que ele teme.”

O que mais chama a atenção nesse livro é a premissa. Todo mundo tem medo, isso é um fato, a pergunta é “Qual o seu medo?” há diversas respostas para ela. Morte, monstros, rato, barato, altura, escuro. Mas e se algo lhe causasse tanto medo, algo que não podemos ver, algo que não sabemos o que é, mas que está lá e uma única espiada é capaz de levar a mente de uma pessoa enlouquecer.

É com essa premissa que o livro começa. O livro intercala o passado e o presente. O passado é quando começou com uma série de surtos violentos, onde as pessoas se suicidavam e acabam, de alguma forma, machucando alguém que está ao redor, como a mãe que enterrou os próprios filhos vivos no jardim de casa e depois de corta com um pedaço de vidro de pratos quebrados, sangrando até a morte. Ninguém sabia o porquê, apenas que havia algo tão terrível a ponto de derrubar a sanidade de uma pessoa. Tudo virou um caos, mostrando que o próprio ser humano tornou-se um monstro.

No presente, quatro anos após o começo disso tudo, temos a Malorie, que, junto com seus dois filhos, tenta fugir para um local em segurança. No entanto, ela tem que percorrer 32 km rio abaixo, seria fácil, se ela não tivesse que fazer de olhos vendados, apenas contando com os ouvidos de seus filhos e sua própria inteligência. Ela vai intercalando a história, contando como e quando começou o surto, o que ela fez para tentar sobreviver.

Criaturas. Malorie nunca gostou desta palavra. De alguma forma parece errada. Acha que as coisas que a assombram há mais de quatro anos não são criaturas. Uma lesma de jardim é uma criatura. Um porco-espinho também. Mas o que se esgueira por trás das janelas cobertas e a manteve vendada não é do tipo que um exterminador de pestes poderia matar.”

O interessante desse thriller é que ele mexe com a sua cabeça. Ele questiona seus próprios medos durante a leitura. Um dos maiores medos do ser humano é o medo desconhecido. Medo daquilo que não sabemos o que é, mas que está ali, que não podemos ver, mas que pode nos machucar. Isso é aterrorizante, agoniante. Sem contar a curiosidade humana, por mais que haja o medo, há o desejo de saber o que está lá fora, causando tudo isso, a curiosidade de abrir os olhos e ver. O autor soube explorar isso muito bem, durante o livro, conseguimos sentir o medo dos personagens como se fossemos nosso, porque nem mesmo nós sabemos o que está acontecendo e o que são essas criaturas. A leitura chega ser claustrofóbica.

Ela imagina a casa como se fosse uma grande caixa. Quer sair daquela caixa […] O planeta inteiro está trancado nela. O mundo está confinado à mesma caixa de papelão que abriga os pássaros lá fora. […] Encaixotados, pensa. Para sempre.”

Pode acontecer de algumas respostas não serem respondidas conforma o leitor espera que seja. Isso pode ser decepcionante. No entanto, ao analisar a história como um todo, talvez tenha sido melhor assim, sem uma resposta concreta.

Caixa de Pássaros é aquele livro que tem terror psicológico, suspense, tensão dos personagens e de nós, leitores. O autor tem a escrita objetiva, fluída, rápida, sem rodeios. Ele explora o medo da forma mais crua que existe, revelando o que há de mais primitivo no ser humano. É aquele livro denso, devido a toda história, cenário, mas que lê em uma única sentada.


Beijos e até a próxima,
Jéssica Tolare




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